segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Letra de médico


Sempre desconfiei da elevada capacidade de os farmacêuticos conseguirem ler os gatafunhos que são tidos por muitos, e muitas vezes, como marca de intelectualidade superior: a letra de médico.
O que vou contra a seguir é apenas um exemplo, mas o facto é que aconteceu. Fui muito recentemente a uma farmácia, munido da receita médica para comprar o medicamento prescrito. O funcionário da farmácia, muito profissionalmente lá foi buscar uma embalagem de “Panasorbe”. Como o médico me tinha dito oralmente para tomar “Ben-Uron”, estranhei que o farmacêutico me estivesse a dar “Panasorbe”. Olhei para a receita médica e perguntei, apontando:
- Estes gatafunhos aqui não lhe parecem dizer “Ben-Uron” ? – Perguntei eu, esperando não estar a ferir susceptibilidades.
- Realmente... parece... mas aqui já me parece estar escrito “Panasorbe” – disse o simpático funcionário.
- Se calhar onde você lê “Panasorbe”, deve ler “Paracetamol”, não acha ?- Perguntei eu.
- Realmente você é capaz de ter razão, mas como estes medicamentos até fazem o mesmo efeito, você até fica a ganhar porque o “Panasorbe” é mais barato - concluiu o farmacêutico com um sorriso profissional.
Por acaso os medicamentos são parecidos no que respeita aos componentes químicos, e serve qualquer deles para me tirarem a valente dor de cabeça que de vez em quando tenho. Porém, maior dor de cabeça seria se a leitura da letra do médico tivesse como base, não dois analgésicos mas dois medicamentos totalmente diferentes, quer na composição química, quer nos fins a que se destinassem.
Assim, se vale o conselho, quando o médico lhe prescrever algum medicamento, pergunte-lhe como se chama e escreva com o seu próprio punho o nome do dito cujo, para ajudar o farmacêutico a vender-lhe o medicamento efectivamente prescrito pelo médico. Haja saúde !

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