terça-feira, 29 de dezembro de 2009

A propósito de “A Janela Secreta” (“The Secret Window”), filme baseado numa obra de Stephen King, com Johnny Depp, entre outros

Um escritor bem sucedido, Mort Rainey (Johnny Depp), enfrenta uma crise pessoal após o fim do seu casamento e a separação da sua esposa adúltera, Amy (Maria Bello), a quem apanhara em flagrante com Ted (Timothy Hutton). Decide isolar-se numa cabana à beira de um lago em busca de paz, num belo local chamado "Tashmore Lake". Mas não consegue escrever nada novo. Sofrendo de um bloqueio criativo por causa do divórcio traumático, cada vez mais mergulhado num estado depressivo, passa os dias a dormir. Para complicar a situação, a aparente tranquilidade da cabana desaparece de vez quando um misterioso homem, John Shooter (John Turturro), um camponês vindo do Mississipi, surge subitamente para atormentar o pobre Rainey com acusação de plágio de um de seus melhores contos que havia escrito uns anos antes. O camponês, ao acusá-lo igualmente de lhe ter alterado o final, exige, ou uma confissão pública, uma indemnização e a reposição do final original (a ser verdade que houve plágio); ou uma prova concreta de que não houve plágio, já que Rainey negava veementemente. Para tudo isso, este tinha um prazo de apenas três dias. John Shooter pressionaria então, de forma agressiva o escritor, demonstrando possuir sinais de ser uma pessoa mentalmente perturbada e perigosa.
Para se livrar do incómodo perseguidor, Rainey esgota todas as possibilidades, desde o pedido de auxílio ao xerife local e o recurso aos serviços de um segurança privado para protecção, até à tentativa de obtenção de uma prova concreta de que era o autor do livro, ao mesmo tempo que enfrentava Shooter num desgastante e intenso jogo psicológico. E ao fim de três longos dias, recheados de eventos misteriosos envolvendo a vida de Rainey, com forte influência na sua sanidade mental, a coisa lá se resolve e a paz volta à vida do escritor. Como ? Nada como ver o filme !

Toda a gente tem uma história triste, embaraçosa e até traumatizante para contar ! E como toda a história merece e deve ser contada, há os que contam e pronto. Há os que por vergonha, medo ou culpa, pura e simplesmente não contam. E passam a carregar a sua história como um fardo incómodo e muitas vezes, não só insustentável, como aterradora. É que a história que se conta pode ter outra versão !

Mas, também há os que contam na terceira pessoa, como se nada tivessem a ver com o assunto. A história é apresentada como pura ficção – como se ficção não fosse a realidade escondida com o rabo de fora. Os personagens parecem não passar disso mesmo. Mas a colagem a pessoas reais, com nome, bilhete de identidade, número de contribuinte e residência nalgum sítio está lá. Apenas com algumas nuances: as pessoas boas dão origem a personagens elevadas à categoria de santo e/ou herói. Já as pessoas menos boas ou mesmo más levam com tudo o que de mau se pode inventar. Embora tudo seja feito de modo a que pareça ficção, os desejos secretos do autor quanto ao desfecho da história são bem reais ! É que por mais que a coisa seja ficcionada, acontece que aconteceu ! E para que a história sirva para alguma coisa, e o facto de ter sido contada – e por que não revelada ? – tenha valido a pena, é preciso que tenha um grande final ! Um final à maneira ! E porque é no final que toda a história se define, se não estiver próximo de, ou mesmo não corresponder a uma espécie de ajuste de contas em que a final os maus são justa e severamente punidos e os bons recompensados de alguma forma, pode-se contar a história vezes sem conta, que tudo continua a parecer uma grande mentira, para quem conta; e coisa de mente perturbada, para quem lê e/ou escuta !

Porra, se mandamos tudo cá para fora, por que raio não dar-lhe um final realmente digno, que nos devolva a dignidade e, nos casos mais severos, a sanidade mental ?

Os heróis e a maioria de nós

Passando revista a todos os heróis que vamos conhecendo, através da literatura e de toda e qualquer forma de representação, é fácil percebermos o que faz com que qualquer um se torne um herói: objectivos perfeitamente definidos e doses necessárias de vontade, coragem, força, energia, determinação, sabedoria, paciência e . E então, com maior ou menor dificuldade, com mais ou menos peripécias, nada nem ninguém parece ter poder suficiente para contrariar, vencer e muito menos impedir o verdadeiro herói de chegar ao que e onde quer que tenha em mente!
E a gente pergunta: se há gajos como nós que conseguem ser heróis, afinal de contas, como é que eles conseguem e nós não ? O que é que eles têm a mais do que nós ? Nada ! Se há coisa que os heróis – os verdadeiros, e não aqueles que se armam em coisa e tal – não têm , mas a maioria de nós tem, é o chamado “Plano B” logo à partida! Ainda que à cautela – porque o seguro morreu de velho, blá, blá, blá, e as conversas do costume - termos sempre à mão uma hipotética alternativa futura, para usar como recurso no caso de..., é o caminho mais certo para a dispersão de energias. È quanto basta para não nos empenharmos tanto e como deveríamos na tentativa de realização de sonhos, na materialização de projectos, no atingir de objectivos. E o resultado está à vista: em vez de heróis, continuamos a ser uns gajos banais como a maioria de nós !

domingo, 27 de dezembro de 2009

E se... ?


Todos os nossos pensamentos acabam por ser não mais do que projecções da nossa mente sobre tudo e todos ! E se reparamos bem, começam sempre (ou quase sempre) por “E se... ?”
Pois, é ! E se... ? A partir desta aparentemente simples pergunta, todos os cenários que possamos construir mentalmente são possíveis ! Mas... e se... ? Exactamente ! Por se tratarem de meras projecções, a única coisa que temos de concreto é o aparente controle que temos sobre elas ! Mas... e se... ? Nem mais ! Depois de muito andarmos às voltas com hipóteses e suposições, construídos todos os cenários mais ou menos possíveis, não há como evitarmos perguntar: E se... ? Pois, pois ! Avançamos alguma coisa ? Certamente que não ! Estamos é de volta ao princípio ! E se ... ?

Será por isso que muitas vezes temos a sensação de que não passamos da cepa torta ? E se... pura e simplesmente a gente mudasse a matriz de pensamento ?