sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Stella awards, and the winner is

Os Stella Awards são prémios conferidos anualmente aos casos mais bizarros de processos judiciais nos EUA. Este ano o grande vencedor foi a sra. Grazinski, de Oklahoma City, Oklahoma. A sra. Grazinski tinha acabado de comprar um Chrysler Motorhome Winnebago automático e regressava sozinha. Na estrada, activou o 'cruise control' do carro para 100km/h, abandonou o banco do motorista e foi para a traseira do veículo preparar uma sandes. Como era de esperar, o veículo despistou-se, bateu e capotou. A sra. Grazinski processou a Chrysler por não explicar no manual que o 'cruise control' não permitia que o motorista abandonasse o volante. O júri concedeu-lhe a indemnização de 1.750.000 dólares, mais um Chrysler novo do mesmo modelo. Claro, que a construtora mudou todos os manuais de proprietário apartir deste processo, para se acautelar contra qualquer outro atrasado mental que comprasse um Chrysler.
Acontece.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Letra de médico


Sempre desconfiei da elevada capacidade de os farmacêuticos conseguirem ler os gatafunhos que são tidos por muitos, e muitas vezes, como marca de intelectualidade superior: a letra de médico.
O que vou contra a seguir é apenas um exemplo, mas o facto é que aconteceu. Fui muito recentemente a uma farmácia, munido da receita médica para comprar o medicamento prescrito. O funcionário da farmácia, muito profissionalmente lá foi buscar uma embalagem de “Panasorbe”. Como o médico me tinha dito oralmente para tomar “Ben-Uron”, estranhei que o farmacêutico me estivesse a dar “Panasorbe”. Olhei para a receita médica e perguntei, apontando:
- Estes gatafunhos aqui não lhe parecem dizer “Ben-Uron” ? – Perguntei eu, esperando não estar a ferir susceptibilidades.
- Realmente... parece... mas aqui já me parece estar escrito “Panasorbe” – disse o simpático funcionário.
- Se calhar onde você lê “Panasorbe”, deve ler “Paracetamol”, não acha ?- Perguntei eu.
- Realmente você é capaz de ter razão, mas como estes medicamentos até fazem o mesmo efeito, você até fica a ganhar porque o “Panasorbe” é mais barato - concluiu o farmacêutico com um sorriso profissional.
Por acaso os medicamentos são parecidos no que respeita aos componentes químicos, e serve qualquer deles para me tirarem a valente dor de cabeça que de vez em quando tenho. Porém, maior dor de cabeça seria se a leitura da letra do médico tivesse como base, não dois analgésicos mas dois medicamentos totalmente diferentes, quer na composição química, quer nos fins a que se destinassem.
Assim, se vale o conselho, quando o médico lhe prescrever algum medicamento, pergunte-lhe como se chama e escreva com o seu próprio punho o nome do dito cujo, para ajudar o farmacêutico a vender-lhe o medicamento efectivamente prescrito pelo médico. Haja saúde !

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Frases feitas da C.

C. tem 64 anos nasceu em Inglaterra, casou com um alemão (bruto, frio, calão e mal-educado, será uma redundância?) e vive em Portugal há 4 décadas – ama Portugal -, diz. Por variadas razões, falta de tempo, falta de amor ou outras carências nunca teve filhos, mas exerceu o cargo de progenitora ao serviço do seu enteado, único filho do marido germânico que tal como diz o povinho “quem sai aos seus” …., neste caso não é alemão.

Dada aos negócios, decidiu montar um dos melhores “cantinhos” para se estar seja a que horas for – um dos meus lugares preferidos -, trabalhadora incansável colocou o seu recanto nas bocas do mundo. Nestas andanças conheceu M., um brasileiro fugido do calor, alto, espadaúdo e muito laborioso – quando a esmola é grande o pobre DEVE desconfiar -, diz ela.

Quase de imediato deu trabalho ao M. que por motivos burocráticos teve de aguardar uns tempos pela sua legalização, nos entretantos e estando o moçoilo a lavar uma pia, eis senão quando o sifão salta furiosamente e vai acertar-lhe em cheio no olho esquerdo. Pobre M. sem seguro para o olho e pobre C. sentindo-se culpada por tudo. O que vale é que a C. tem um amigo-amigo que lá a vai ajudando e ouvindo sempre que precisa. Valha-nos o Z., diz ela. À custa do Z. o rapaz teve tratamento vip, uma indemnização e um olho novo. Novo, mas cego, mas novo.

Vai daí o M. ficou tão, mas tão agradecido que começou a alargar os seus conhecimentos vários (toda a gente sabe que brasileiro que se preze tem jeitão para curar mazelas várias, diz ela) e aplicá-los no marido germânico, que por sua vez admira emes altos e espadaúdos.

E foi, mais coisa menos coisa, assim que a C. ficou sem negócio, sem marido germânico, sem M., sobrando-lhe – que uma desgraça nunca vem só, como ela diz - o enteado agora casado com uma brasileira com 3 filhos e escusado será dizer que nenhum deles trabalha.
Acontece

domingo, 10 de janeiro de 2010

Chega-se a ser grande por aquilo que se lê e não por aquilo que se escreve.
José Luis Borges, escritor argentino

G. e a frigideira

J. veio de África para Portugal sozinho, sem os pais nem os irmãos, tinha 15 anos. Por cá conheceu o casal Z. e G. com quem estabeleceu laços de amizade tão fortes que com o passar dos anos pareciam pertencer à mesma família. Por não terem filhos, Z. e G. fizeram de J. seu filho, orientado-o na difícil missão de se fazer um homem digno e respeitável. J. reconhecia isso e vivia na esperança duma oportunidade mostrar a sua gratidão a tão amável casal que substituíra os seus pais deixados em África, por obra e graça das convulsões de Abril.
Os anos foram passando e, inesperadamente Z. teve um dia que ser levado de urgência para o hospital, vindo a falecer umas horas depois, vítima de ataque cardíaco. Nada mais a fazer que não tratar do funeral e enterro do homem. Contactada a agência funerária, feito o levantamento dos custos, só faltava ir ao banco buscar o dinheiro. Acontece, porém que Z. tinha o dinheiro todo numa conta pessoal e só com um cheque por si assinado se poderia fazer o saque. Havia muitos cheques lá em casa, mas nenhum assinado em branco. Perante a enorme frustração de G., J. viu ali a sua oportunidade para fazer qualquer coisa por quem tanto tinha feito por si. Decidiu, então forjar a assinatura de Z. num cheque que lhes permitisse sacar o dinheiro do banco. Z. tinha uma assinatura tão pessoal que J. passou muitas horas madrugada adentro a praticar, até conseguir assinar um cheque, quase na perfeição. Na manhã seguinte lá foi com G. até ao banco, com o cheque assinado em branco. G. tremia por todos os lados temendo pelas consequências do crime de falsificação que estavam cometendo. J. mantinha-se calmo e isso ajudou a mulher a sossegar um pouco. Com o cheque na mão, o funcionário do banco dirigiu-se a um colega a quem o entregou, deixando as duas alminhas à espera ao balcão por cerca de cinco minutos. Após a leitura dos dados no computador, e a consulta a fichas e arquivos, finalmente o segundo funcionário dirigiu-se a G. e J. com o cheque na mão. Tremeram os dois. Seria a assinatura?
- Bem - disse o homem - só existem mil e duzentos escudos na conta. Se quiser levantar, pode preencher o cheque.
E mais não disse, afastando-se. G. e J. entreolharam-se e G. disse:
- Tanto trabalho... e o risco de sermos presos por falsificação da assinatura por ... um conto e duzentos?! Vamos embora - disse, decidida e saiu do banco.
J. segui-a, mas não sem antes acabar de emitir o cheque ao portador e sacar os mil e duzentos escudos. Quando chegou perto de G., J. estendeu-lhe as notas dizendo:
- Há-de servir para alguma coisa!
- E eu já sei para quê. Vamos - disse ela, pegando no dinheiro e caminhando com passos decididos até entrar numa loja de utilidades para o lar. Olhou, e foi descobrir uma frigideira de metal aparentemente forte e resistente e a custar pouco menos de um conto e duzentos. Pagou, recusou o troco e saiu, seguida de J., que não conseguia entender nada do que se estava a passar. De novo na rua, G., com a frigideira em punho, agitando-a, olhou para J. e disse-lhe em tom quase ameaçador:
- Quero que me prometas uma coisa: quando eu morrer, enterra-me com esta frigideira! Eu sei que me vou encontrar com o Z. onde quer que ele esteja, no céu ou no inferno, e quando isso acontecer...
Pouco mais de vinte anos depois G. veio a falecer vítima de doença prolongada. Não havia assinaturas para falsificar, mas havia uma frigideira. E dentro de uma gaveta do reoupeiro no quarto de G. lá estava ela, novilha em folha, à espera de ter finalmente utilidade. E, foi de facto, enterrada juntamente com G.
Cá para nós, o que terá levado G. a guardar a tal frigideira durante mais de vinte anos? Fé cega no reencontro? Sede de vingança? Amor?
Acontece que acontece

Aconteceu, Madame Bovary

Madame Bovary é, com certeza, um dos mais belos romances da língua francesa. Escrito por Gustave Flaubert, editado em 1857 a narração faz parte dum acontecimento testemunhado pelo escritor médico de profissão. Escritor por vocação toma conhecimento do suicídio de uma jovem senhora que depois de ter levado o marido à ruína ingere arsénico e morre.
Pesquisou a vida desta senhora durante 8 anos e escreveu o romance que lhe custou um processo por ultraje à moral do qual se livrou alegando ter escrito o livro como forma de mostrar qual deve ser o fim de uma mulher adúltera.
Acontece que acontece.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

...

A minha filha, acabadinha de completar quatro anos de existência, após uns dez minutos a desenhar, veio ter comigo com uma folha de papel nas mãozinhas.

- Olha, pai, queres que eu te conte esta história – disse ela mostrando-me a obra.

- Quero – respondi de pronto, já tentando decifrar o que estaria ali.

- Olha – disse ela, usando o lápis como apontador – este é o Jesus e estes são os Reis Magos.

- E estes ? – Quis eu saber quem seriam as restantes duas figuras, supostamente José e Maria.

- São mais dois Reis Magos – respondeu ela.

- Mas os Reis Magos são só três, filha – disse-lhe eu, pedagogicamente.

- Oh ! A história é minha e eu ponho os que eu quiser ! - Resposta pronta duma miúda de apenas pouco mais de quatro anos de existência, que muito me tem dado que pensar !